Seção 3. A Providência da Restauração na Família de Abraão
Devido ao ato decaído de Cam, a Providência da Restauração na família de Noé não foi realizada. Não obstante, Deus havia predestinado absolutamente que a finalidade da Criação um dia será realizada. Desse modo, sobre o fundamento do coração leal de Noé diante do Céu, Deus chamou Abraão e começou um novo capítulo na Providência da Restauração com sua família.
A família de Abraão devia restaurar o fundamento para o Messias que a família de Noé havia deixado incompleto e receber o Messias sobre esse fundamento. Assim como Noé antes dele, Abraão devia restaurar por indenização o fundamento de fé e seus filhos deviam restaurar por indenização o fundamento de substância.
3.1 O Fundamento de Fé
3.1.1 A Figura Central para o Fundamento de Fé
Na Providência da Restauração na família de Abraão, a figura central para restaurar o fundamento de fé era Abraão. Deus escolheu Abraão para herdar a missão de cumprir a Vontade que Ele havia tentado realizar com Noé. Entretanto, Abraão não podia herdar essa missão sem antes ter restaurado por indenização todas as condições que haviam sido dadas para Noé cumprir, mas que foram perdidas para Satanás devido ao pecado de Cam.
As primeiras condições que a família de Noé perdeu para Satanás foram as dez gerações de Adão a Noé e o período de quarenta dias do julgamento. Por conseguinte, Abraão tinha que restaurar por indenização outras dez gerações. Cada uma destas dez gerações restaurava o número quarenta, que representava o julgamento pelo dilúvio. Uma vez que os quarenta dias do dilúvio terminaram em fracasso, a restauração de cada geração deveria durar um período idêntico; isto porém, não poderia ser cumprido em apenas quarenta dias. A providência para restaurar o dilúvio em cada uma das dez gerações devia adotar um período de tempo mais longo: quarenta anos. Era algo semelhante ao que ocorreu no tempo de Moisés, quando a restauração da falha nos quarenta dias da missão de espionagem exigiu que o povo vagasse pelo deserto por quarenta anos (Nm 14: 34). Assim, após um período de indenização de dez gerações e quatrocentos anos desde Noé (De acordo com a Bíblia, Deus abreviou a duração da vida humana após a geração de Noé. Por isso, as dez gerações de Adão a Noé duraram mil e seiscentos anos, enquanto as dez gerações de Noé a Abraão duraram somente 400 anos.), Deus escolheu Abraão para herdar a missão de Noé. Entretanto, porque a era providencial havia mudado, o período de mil e seiscentos anos para a restauração das dez gerações de Adão a Noé teve que ser indenizado pelo período de quatrocentos anos das dez gerações de Noé a Abraão. Assim, vê-se que a duração da vida humana foi reduzida repentinamente a partir de Noé.
As condições seguintes que a família de Noé perdeu para Satanás foram: a posição de pai da fé e a posição de Cam, que devia ter assumido o papel de Abel. Portanto, Abraão não podia estar na posição de Noé sem primeiramente restaurar por indenização os papéis de pai da fé e o papel de Cam. Para assumir o papel de pai da fé no lugar de Noé, Abraão devia fazer uma oferta simbólica com fé e com um coração leal, tal como Noé quando construiu a arca. A seguir, como Abraão poderia restaurar a posição de Cam? Cam representava Abel, o mais amado de Deus: ambos eram os segundos filhos e escolhidos como figuras centrais da oferta substancial. Uma vez que Satanás reivindicou Cam, de acordo com o princípio da restauração por indenização, Deus podia reivindicar alguém muito amado por Satanás. Esta é a razão pela qual Deus chamou Abraão, que era o primeiro filho de Terá, um idólatra (Js 24: 2-3).
Abraão herdou a missão de Noé e, dessa forma, também a missão de Adão. Com base nesse princípio, ele representava Adão restaurado. Como Deus havia abençoado Adão e Noé, Deus também abençoou Abraão: E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome e tu serás uma bênção. E abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra. (Gn 12: 2-3) Após ter recebido esta bênção, em obediência ao mandamento de Deus, Abraão deixou a casa de seu pai em Harã e entrou em Canaã com sua esposa Sara, seu sobrinho Lot e todos os seus pertences e servos (Gn 12: 4-5). Nesse sentido, Deus estabeleceu o curso de Abraão como o curso-modelo para a restauração de Canaã, que Jacó e Moisés trilhariam em seus dias. Jacó e Moisés tomariam suas famílias e todos os seus pertences e sairiam de Harã e do Egito, respectivamente, e voltariam para Canaã, sofrendo muitas tribulações ao longo do caminho. O curso de Abraão também prefigurou o curso pelo qual Jesus andaria um dia: tomar a humanidade e todas as coisas do mundo satânico e trazê-las de volta para o mundo de Deus (Cf. Moisés e Jesus 1.2.).
3.1.2 Os Objetos para a Condição na Restauração do Fundamento De Fé
3.1.2.1 A Oferta Simbólica de Abraão
Deus mandou Abraão oferecer uma pomba e um pombo, um cordeiro e uma cabra e uma novilha (Gn 15: 9). Estes foram os objetos para a condição que ele deveria oferecer para restaurar o fundamento de fé. Todavia, antes que fizesse a oferta simbólica, Abraão tinha que demonstrar uma fé absoluta, tal como Noé havia procedido corretamente antes de construir a arca como sua oferta simbólica.
A Bíblia não esclarece claramente como Noé demonstrou sua fé. Mas do versículo “Noé era varão justo e reto em suas gerações; Noé andava com Deus” (Gn 6: 9), podemos deduzir que Noé demonstrou sua fé antes de ser julgado digno de receber o mandamento de Deus para construir a arca. Na verdade, aqueles que caminham na Providência da Restauração devem continuamente fortalecer sua fé (Rm 1: 17).
Investiguemos como Abraão fortaleceu sua fé como preparação para fazer a oferta simbólica.
Uma vez que Noé era o segundo antepassado humano, para Abraão restaurar a posição de Noé, ele também tinha que assumir a posição de Adão. Por essa razão, ele deveria fazer uma condição de indenização simbólica para restaurar a posição da família de Adão antes de poder fazer a sua oferta simbólica.
Neste sentido, a Bíblia contém o relato de uma viagem feita por Abraão para o Egito por causa da fome (Gn 12: 10-20). Quando entrou no Egito, Abraão instruiu sua esposa Sara para se apresentar como sua irmã, pois estava com medo de que o Faraó pudesse desejá-la. Abraão temia que o Faraó o matasse se descobrisse que ele era o esposo de Sara. Desse modo, ao comando do Faraó, Abraão entregou-lhe Sara enquanto ela estava na posição de sua irmã. Depois disso, Deus castigou o Faraó e Abraão teve de volta sua esposa, juntamente com seu sobrinho Lot e deixaram o Egito com a abundante riqueza que o Faraó lhe deu. Sem saber, Abraão trilhou este curso providencial para fazer uma condição de indenização simbólica para restaurar a posição da família de Adão.
Quando o arcanjo tomou Eva — subjugando sob seu domínio todos os descendentes de Eva e o mundo natural — Adão e Eva estavam ainda como irmão e irmã. Para Abraão fazer a condição de indenização para restaurar aquela situação, ele foi privado de Sara, que estava fazendo o papel de sua irmã, pelo Faraó que representava Satanás. Depois, ele teve que tomá-la de volta do Faraó como sua esposa, junto com Lot e suas riquezas, os quais representavam toda a humanidade e o mundo natural, respectivamente. Este curso trilhado por Abraão foi o curso-modelo para Jesus trilhar em seus dias. Uma vez que cumpriu esta condição de indenização, Abraão foi considerado apto para fazer a oferta simbólica.
Qual era o significado da oferta simbólica de Abraão? Para Abraão se tornar o pai da fé teria que restaurar por indenização a posição de Noé, uma vez que Deus pretendia estabelecê-lo como o novo pai da fé, tal como na família de Noé. Além disso, ele restauraria a posição de Adão e sua família. Abraão deveria, então, oferecer de maneira aceitável, objetos para a condição a fim de restaurar tudo que Caim e Abel deveriam ter realizado por meio de suas ofertas, e tudo que a família de Noé tentou realizar através da providência da arca. A oferta simbólica de Abraão consistia de objetos com tal significado simbólico.
Abraão ofereceu três tipos de objetos como condição para sua oferta simbólica: primeiro, uma pomba e um pombo; segundo, um cordeiro e uma cabra; e terceiro, uma novilha. Estes três sacrifícios simbolizavam o cosmo, o qual foi concluído através dos três estágios do período de crescimento. A pomba representava o estágio de formação. Quando Jesus foi batizado por João Batista no rio Jordão, o Espírito de Deus desceu sobre ele em forma de uma pomba (Mt 3: 16). Isto ocorreu porque Jesus veio concluir a Idade do Velho Testamento, a qual, como o estágio de formação da Providência, era simbolizado por uma pomba. Além disso, havia uma segunda razão para a visão da pomba descendo sobre Jesus. Jesus devia restaurar o erro de Abraão na oferta da pomba, que, como veremos, Satanás havia invadido.
O cordeiro representava o estágio de crescimento. Uma vez que Jesus havia trazido a consumação da Idade do Velho Testamento, restaurando todas as coisas representadas pela pomba, ele também iniciou a Idade do Novo Testamento no estágio de crescimento da Providência, quando tudo que era representado pelo cordeiro deveria ser restaurado. Após João Batista testificar que tinha visto o Espírito descer sobre Jesus sob a forma de uma pomba — significando que Jesus era aquele que completava o estágio de formação da Providência — ele testificou que Jesus iniciaria a missão no estágio de crescimento, dizendo: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (Jo 1: 29)
A novilha representava o estágio de aperfeiçoamento. Está escrito que certa vez, quando Sansão lançou um enigma para os filisteus, eles obtiveram a resposta pressionando a esposa de Sansão para revelá-la. E Sansão disse-lhes: “Se vós não lavrásseis com a minha novilha, nunca teríeis descoberto o meu enigma” (Jz 14: 18), metaforicamente referindo-se à sua esposa como uma novilha.
Jesus veio como o noivo para toda a humanidade. Todos os cristãos devem se tornar suas noivas, aguardando o tempo de seu retorno. Depois que estes noivos celebrarem as Bodas do Cordeiro com Jesus, seu noivo, viverão no Reino do Céu em unidade com ele como suas esposas (em sentido figurado). Portanto, a Idade do Completo Testamento após o Segundo Advento do Messias é a idade da novilha, ou a idade da esposa. A razão pela qual alguns médiuns espiritualistas têm recebido a revelação de que a presente era é a Idade de uma vaca ou novilha é porque estamos entrando no Estágio de Aperfeiçoamento.
O que indenizavam os três sacrifícios? Abraão devia restaurar por meio de ofertas tudo o que Deus não pôde restaurar através das ofertas simbólicas feitas pelas famílias de Adão e de Noé — ofertas que foram feitas corretamente, mas em seguida foram perdidas para Satanás devido às falhas subsequentes. A oferta de Abraão devia também ser uma condição de indenização simbólica como restituição das falhas das ofertas substanciais. Em outras palavras, a finalidade da oferta simbólica de Abraão com três tipos de objetos condicionais era para restaurar em sua geração (horizontalmente) todas as condições de indenização que havia se acumulado no curso da Providência (verticalmente) através das três gerações de Adão, Noé e Abraão.
Por que os três sacrifícios de Abraão — as aves, o cordeiro e a cabra, e a novilha, simbolizando os estágios de formação, crescimento e aperfeiçoamento — estavam colocados sobre um único altar? Antes da Queda, a responsabilidade de Adão era crescer através dos três estágios de uma só vez. De forma idêntica, Abraão, agora na posição de Adão, deveria restaurar de uma só vez a longa Providência que Deus havia conduzido através das três gerações providenciais de Adão (formação), Noé (crescimento) e Abraão (aperfeiçoamento). Com uma única oferta, ele poderia restaurar as condições que continham o número três. O simbolismo da oferta de Abraão revela a vontade de Deus para cumprir toda a Providência da Restauração de uma única vez.
Estudemos agora como Abraão fez a oferta simbólica:
E disse-lhe o Senhor: Toma-me uma bezerra de três anos, e uma cabra de três anos, e um carneiro de três anos, e uma rola, e um pombinho. E trouxe-lhe todos estes, e partiu-os pelo meio, e pôs cada parte deles em frente da outra; mas as aves não partiu. E as aves desciam sobre os cadáveres; Abraão, porém, as enxotava. E, pondo-se o sol, um profundo sono caiu sobre Abraão; e eis que grande espanto e grande escuridão caíram sobre ele. Então, disse a Abraão: Saibas, decerto, que peregrina será a tua semente em terra que não é sua; e servi-los-ão e afligi-los-ão quatrocentos anos. (Gn 15:9-13) Porque Abraão não cortou a pomba em dois como devia, aves de rapina desceram e invadiram a oferta. Como resultado de seu erro, os israelitas foram destinados a entrar no Egito e sofrer aflições por quatrocentos anos.
Por que foi um pecado não cortar as aves ao meio? Esta questão somente pode ser entendida com a ajuda do Princípio. Investiguemos primeiramente a razão pela qual Abraão foi instruído para cortar as ofertas ao meio.
A Providência da Salvação de Deus aponta na direção da restauração da soberania do bem, primeiramente dividindo o bem e o mal, e depois, destruindo o mal e exaltando o bem. Esta é a razão pela qual Adão foi dividido em Caim e Abel antes que a oferta pudesse ser feita. Esta também é a razão pela qual, nos dias de Noé, Deus pretendia destruir o mal através do julgamento pelo dilúvio, e preservou a família de Noé como sendo do bem. Deus pediu para Abraão cortar as ofertas ao meio antes de oferecê-las com a intenção de realizar a providência simbólica de separar o bem e o mal, que havia sido deixada incompleta por Adão e Noé.
As ofertas deviam ser divididas, primeiramente, para restaurar a situação da família de Adão na qual Abel e Caim representavam respectivamente a divisão do bem e do mal. Segundo: era para restaurar a situação de ter sido separado o bem e o mal durante os quarenta dias do dilúvio na família de Noé. Terceiro: era para fazer uma condição simbólica para separar a soberania do bem, do universo governado por Satanás. Quarto: era para fazer uma condição de santificar a oferta pelo derramamento do sangue da morte, que havia sido incorporado à humanidade decaída quando esta foi subjugada pela relação de sangue com Satanás.
Por que não dividir a oferta foi um pecado? Primeiramente, não dividir a oferta tinha como significado não dividir Caim e Abel. Sem dividir, a oferta não poderia ser aceita por Deus porque não fornecia um parceiro-objeto de tipo Abel que Ele pudesse tomar para Si. Consequentemente, o erro que Caim e Abel haviam cometido em suas ofertas não foi restaurado. Segundo: não dividir a oferta significou a repetição da falha da Providência no tempo de Noé, quando o bem e o mal permaneceram juntos, apesar do dilúvio. Como a família de Noé, Abraão também falhou na divisão da oferta, privando Deus de Seu parceiro-objeto do bem. Assim, repetiu o erro que causou a falha na providência do dilúvio. Terceiro: não dividir a oferta significou que não havia condição simbólica para separar o reino da boa soberania de Deus do universo sob a má soberania de Satanás. Quarto: porque o sangue da morte não foi retirado da oferta, e não dividi-la significou que esta não podia ser uma oferta santificada aceitável a Deus.
Em outras palavras, quando Abraão ofereceu as aves sem primeiramente tê-las dividido, significou que ele ofereceu algo que não havia sido retirado da posse de Satanás. Seu erro teve como efeito a reivindicação da posse das ofertas por parte de Satanás.
A pomba, simbolizando o estágio de formação, permaneceu como posse de Satanás. Consequentemente, Satanás também reivindicou o cordeiro, simbolizando o estágio de crescimento e a novilha, simbolizando o estágio de aperfeiçoamento, os quais seriam cumpridos baseados no estágio de formação. Tendo como efeito a entrega de toda a oferta simbólica para as mãos de Satanás, a não divisão das aves constituiu um sério pecado.
A seguir, examinemos o que significava o versículo bíblico que afirma que aves de rapina desceram sobre a oferta.
Desde a Queda dos primeiros antepassados humanos Satanás tem assediado aqueles com quem Deus trabalhou para realizar Sua vontade. Quando Caim e Abel estavam fazendo suas ofertas, Satanás estava à porta (Gn 4: 7). No curso de Noé, o corvo pairando sobre a arca significava que Satanás estava procurando uma oportunidade para invadir a família de Noé logo após o dilúvio56 .
Da mesma forma, quando Abraão estava fazendo sua oferta simbólica, Satanás estava espreitando em busca de uma oportunidade para tomar a oferta. Ele a profanou assim que viu que a oferta das aves não estava dividida. A Bíblia descreveu aquela invasão através da imagem de aves de rapina descendo sobre a oferta.
O erro de Abraão ao fazer a oferta simbólica permitiu a invasão da mesma. Todas as condições que Deus pretendia restaurar através da oferta foram perdidas. Como consequência, os descendentes de Abraão tiveram que sofrer opressão e escravidão por quatrocentos anos no Egito. Investiguemos a razão desse fato.
Deus chamou Abraão e ordenou que fizesse a oferta simbólica como a conclusão do período de quatrocentos anos para a separação de Satanás. Este período havia sido estabelecido para restaurar por indenização as dez gerações de Adão até Noé, e o período de quarenta dias do julgamento pelo dilúvio, perdidos para Satanás devido ao pecado de Cam. Era também o período de indenização necessário para estabelecer Abraão como o pai da fé depois que ele completasse a oferta simbólica. Quando o erro de Abraão na oferta simbólica permitiu a Satanás reivindicar a oferta como sua, este período de quatrocentos anos também foi perdido para Satanás. Para recriar em nível nacional a situação anterior ao erro de Abraão na oferta simbólica, que correspondia à situação de Noé quando foi chamado para construir a arca, Deus estabeleceu um outro período de quatrocentos anos para a separação de Satanás. Durante aquele período, os israelitas estiveram como escravos no Egito. Suportando aquela situação durante todo o período, os israelitas deviam restaurar — desta vez em nível nacional — as situações de Noé e Abraão no início de suas missões como pais da fé, como também estabelecer o fundamento para Moisés iniciar sua missão. Assim, o período de escravidão no Egito foi o tempo em que os israelitas foram punidos pelo erro de Abraão e também o tempo em que estavam estabelecendo o fundamento para cortar sua ligação com Satanás e começar a nova providência de Deus.
Como explicado anteriormente, Deus esperava cumprir, de uma só vez, as providências nos estágios de formação, crescimento e aperfeiçoamento, depois de Abraão ter feito com sucesso a oferta simbólica dos três tipos de sacrifícios em um único altar. Contrariando este propósito, Abraão falhou, repetindo os erros do passado. Consequentemente, a Providência centralizada em Abraão foi prolongada através das três gerações de Abraão, Isaque e Jacó.
3.1.2.2 A Oferta de Isaque por Abraão
Depois que Abraão falhou na oferta simbólica, Deus ordenou-lhe que oferecesse seu único filho Isaque em sacrifício (Gn 22: 2). Dessa maneira, Deus iniciou uma nova providência com a finalidade de restaurar a falha de Abraão por indenização. De acordo com o Princípio da Predestinação, quando alguém que Deus predestinou para cumprir certa porção de Sua Vontade falha em completar sua responsabilidade, Deus não o utiliza novamente. Por que, então, Deus trabalhou com Abraão novamente, pedindo-lhe que ofertasse seu filho Isaque?
Podemos identificar três razões para isso. Primeiro, porque o número três representa a perfeição (Cf. Períodos 2.4.). O Princípio de Deus afirma que quando a providência para estabelecer o fundamento para o Messias ocorre pela terceira vez, deverá ser concluído definitivamente. Portanto, a providência de Deus para estabelecer o fundamento para o Messias, que começou na família de Adão como a primeira providência e continuou na família de Noé como a segunda providência, deveria ser concluída na família de Abraão, que era a terceira providência. Por essa razão, foi dada a Abraão a oportunidade de cumprir a condição de indenização, desta vez a um preço maior, e desse modo efetuar a restauração simbólica de tudo que havia sido perdido quando ele falhou na oferta simbólica anterior. Esta condição de indenização maior foi a oferta de seu filho Isaque.
Segundo: Como foi explicado anteriormente, enquanto Abraão estava fazendo a sua oferta ele estava na posição de Adão. Satanás havia atacado tanto a Adão como a seu filho Caim, destruindo a família na extensão de duas gerações. Assim, de acordo com o Princípio da restauração por indenização, Deus poderia tomar de volta Abraão e seu filho Isaque através de um curso de duas gerações.
Terceiro: Aprendemos que Noé pôde fazer sozinho a oferta simbólica da arca mesmo estando na mesma posição de Adão, que não podia fazer a oferta simbólica diretamente. Isto, porque ele estava posicionado sobre o mérito de Abel, que havia demonstrado um coração fiel quando teve sucesso em sua oferta simbólica. Assim, quando Abraão foi chamado por Deus ele também estava posicionado sobre o mérito de Abel, que teve sucesso na oferta simbólica no estágio de formação, e de Noé, que teve sucesso na oferta simbólica no estágio de crescimento. Sobre estes dois fundamentos, Abraão podia fazer a oferta simbólica no estágio de aperfeiçoamento. Dessa forma, mesmo com a falha de Abraão, Deus pôde mantê-lo e dar-lhe outra chance para fazer a oferta, baseando-se no mérito acumulado pelo coração fiel de Abel e de Noé.
Antes que pudesse oferecer Isaque como um sacrifício, Abraão deveria demonstrar sua fé mais uma vez, repetindo a condição simbólica de indenização para a restauração da família de Adão, como já havia feito por ocasião da primeira oferta simbólica. Esta foi a razão de Abraão mais uma vez ter posto Sara na posição de sua irmã, deixando que fosse tomada por um rei, desta vez, o rei Abimeleque, de Gerar. Após Sara se tornar esposa do rei, Abraão tomou-a de volta. Dessa vez, Abraão também recuperou seus escravos, que simbolizavam a humanidade e as riquezas, que simbolizavam o mundo natural (Gn 20: 1-8).
Como Abraão ofereceu Isaque? E vieram ao lugar que Deus lhes dissera, e edificou Abraão ali um altar, e pôs em ordem a lenha, e amarrou a Isaque, seu filho, e deitou-o sobre o altar em cima da lenha. E estendeu Abraão a sua mão e tomou o cutelo para imolar o seu filho. Mas o anjo do Senhor lhe bradou desde os céus e disse: Abraão, Abraão! E ele disse: Eis-me aqui. Então, disse: Não estendas a tua mão sobre o moço e não lhe faças nada; porquanto agora sei que temes a Deus e não Lhe negaste o teu filho, o teu único filho. (Gn 22: 9-12)
A fé de Abraão era absoluta. Em obediência ao mandamento de Deus, ele estava disposto a sacrificar Isaque, seu único filho, intencionando oferecê-lo como um sacrifício vivo. Deus interveio no exato momento e disse para Abraão não sacrificar o rapaz. O zelo de Abraão em fazer a vontade de Deus e sua atitude resoluta, realizada com fé absoluta, obediência e lealdade, deixou-o na posição de já ter sacrificado Isaque. Portanto, Isaque foi completamente separado de Satanás. Deus ordenou a Abraão para não sacrificar Isaque porque ele, agora, havia cortado toda a sua ligação com Satanás, passando para o lado de Deus. Devemos também entender que quando Deus disse: “Agora eu sei”, Ele revelou Sua desaprovação pela falha anterior de Abraão na oferta simbólica e também Sua alegria pelo sucesso da oferta de Isaque.
Pelo fato de Abraão ter sido bem-sucedido na oferta de Isaque, a Providência da Restauração na família de Abraão pôde ser transferida para Isaque.
Abraão precisou de três dias para alcançar o local no Monte Moriá, onde devia oferecer seu filho Isaque como um sacrifício. Este período de três dias para a purificação de Isaque foi o início de um novo curso na Providência. A partir de então, um período de três dias tem sido requerido para a separação de Satanás e como providência para um novo início. Podemos encontrar muitos exemplos de tais períodos na história da Providência. Quando Jacó estava se preparando para deixar Harã com sua família, para iniciar o curso familiar para a restauração de Canaã, houve um período de três dias para a separação de Satanás (Gn 31: 20-22). Moisés também conduziu os israelitas por um período de três dias para a separação de Satanás quando deixaram o Egito para iniciar o curso nacional para a restauração de Canaã (Êx 8: 27). Quando Jesus iniciou o curso espiritual para a restauração de Canaã em nível mundial foram necessários três dias no sepulcro para realizar a separação de Satanás.
3.1.2.3 A Posição de Isaque e sua Oferta Simbólica aos Olhos de Deus
Foi explicado anteriormente que, embora a oferta simbólica de Abraão tenha terminado em fracasso, restaram no Princípio alguns itens que permitiam que o fundamento para o Messias ainda pudesse ser estabelecido centralizado nele. Contudo, porque Abraão falhou em cumprir sua responsabilidade, ele não estava mais qualificado para repetir a oferta simbólica por si mesmo (Cf. Predestinação 3.). De algum modo, Deus tinha que encontrar uma forma de colocar Abraão na condição de não ter falhado na oferta simbólica e causado o prolongamento da Providência. Para fazer isso, Deus ordenou que Abraão oferecesse Isaque como um sacrifício.
Deus havia prometido previamente a Abraão que faria surgir um povo eleito da linhagem de Isaque, dizendo: E eis que veio a palavra do Senhor a ele, dizendo: Este não será o teu herdeiro; mas aquele que de tuas entranhas sair, esse será o teu herdeiro. Então, o levou fora e disse: Olha, agora, para os céus e conta as estrelas, se as podes contar. E disse-lhe: Assim será a tua semente. (Gn 15:4-5) Quando Abraão se preparava para sacrificar seu filho, o filho da promessa, demonstrou sua máxima lealdade ao Céu. Este ato de fé testemunhava que Abraão estava disposto a sacrificar seu próprio ser — ser este que havia se submetido a Satanás devido à falha anterior na oferta simbólica. Desse modo, quando Deus salvou Isaque da morte, Abraão foi também ressuscitado à vida, desvencilhando-se de todas as amarras com as quais Satanás o havia envolvido quando falhou em sua primeira oferta. Além disso, Abraão e Isaque se tornaram inseparáveis devido à sua fidelidade para com a vontade de Deus.
Embora sendo Isaque e Abraão dois indivíduos diferentes, quando Deus os trouxe de volta à vida, ambos se tornaram uma só pessoa aos olhos de Deus. Mesmo que a providência através de Abraão fracassasse e fosse prolongada até Isaque, se este tivesse sucesso, sua vitória tornar-seia a vitória de Abraão. Portanto, Deus poderia considerar Abraão como se não tivesse falhado e como se a Providência não tivesse sido prolongada.
Não se sabe qual a idade de Isaque quando Abraão o ofereceu como um sacrifício. Sabe-se apenas que ele tinha idade suficiente para carregar a lenha para o sacrifício (Gn 22: 6), e quando viu que não havia nenhum cordeiro para ser oferecido, ele questionou seu pai sobre o fato (Gn 22: 7). Aparentemente, Isaque tinha idade suficiente para compreender as intenções de seu pai. Assim, podemos concluir que Isaque ajudou seu pai, mesmo sabendo que ele estava fazendo os preparativos para oferecê-lo como o sacrifício.
Se Isaque tivesse resistido à tentativa de seu pai em oferecê-lo como um sacrifício, Deus definitivamente não teria aceitado a oferta. De fato, Isaque demonstrou uma fé tão grande quanto a de Abraão. Juntos, eles fizeram a oferta com fé e sucesso, e não havia maneira de Satanás manter seu domínio sobre eles. Ao fazer a oferta, Isaque e Abraão passaram por um processo de morte e ressurreição. Como resultado, duas condições foram cumpridas. Primeiro: Abraão se separou com sucesso de Satanás, que o havia invadido por causa de seu erro na oferta simbólica. Assim, ele restaurou por indenização a posição ocupada por ele antes de ter cometido o erro, e transferiu sua missão para Isaque a partir desta posição restaurada. Segundo: obedecendo fielmente à vontade de Deus, Isaque herdou a missão divina de Abraão e demonstrou tal fé que esta o qualificou a fazer a oferta simbólica.
Depois que a missão divina foi passada de Abraão para Isaque, Abraão ofereceu um cordeiro fornecido por Deus como substituto de Isaque. Então, levantou Abraão os seus olhos e olhou, e eis um carneiro detrás dele, travado pelas suas pontas num mato; e foi Abraão, e tomou o carneiro, e ofereceu-o em holocausto, em lugar de seu filho. (Gn 22:13) De fato, esta foi a oferta simbólica através da qual Isaque restaurou o fundamento de fé.
Uma vez que Isaque carregou a lenha para o sacrifício, podemos concluir que ele participou da oferta do cordeiro. Assim, mesmo estando escrito que Abraão fez a oferta simbólica, Isaque, que estava unido com Abraão e herdou sua missão, foi quem recebeu o crédito providencial pela oferta. Dessa forma, tendo herdado a missão de Abraão, Isaque fez a oferta simbólica e restaurou o fundamento de fé por indenização.
3.2 O Fundamento de Substância
Isaque tornou-se, assim, a figura central para restaurar o fundamento de fé no lugar de Abraão. Ele estabeleceu o fundamento de fé fazendo a oferta simbólica do cordeiro de maneira aceitável a Deus. Para estabelecer o fundamento para o Messias na família de Isaque, o fundamento de substância deveria ser estabelecido na sequência. Para esta finalidade, os filhos de Isaque, Esaú e Jacó, estavam colocados nas posições divididas de Caim e Abel respectivamente. Em posição de fazer a oferta substancial, eles eram responsáveis por cumprir a condição de indenização para remover a natureza decaída e estabelecer o fundamento de substância.
Se Abraão não tivesse falhado na oferta simbólica, Isaque e seu meioirmão Ismael teriam ocupado as posições de Caim e Abel. Eles assumiriam a responsabilidade de cumprir a condição de indenização para remover a natureza decaída que Caim e Abel não cumpriram. Entretanto, pelo fato de Abraão ter falhado na oferta simbólica, Deus colocou Isaque na posição de Abraão, e Esaú e Jacó nas posições originalmente pertencentes a Ismael e Isaque. Assim, Esaú e Jacó estavam posicionados para cumprir a condição de indenização para remover a natureza decaída. Com a finalidade de fazer a oferta substancial, Esaú e Jacó estavam, sob seu pai Isaque, na mesma posição de Caim e Abel em relação a Adão, e como Sem e Cam em relação a Noé.
Esaú, o filho mais velho de Isaque, representava a primeira oferta simbólica de Abraão invadida por Satanás, enquanto o segundo filho, Jacó, representava a oferta de Isaque, através da qual Satanás foi separado. Além disso, Esaú assumiu o papel de Caim como o representante do mal, enquanto Jacó ficou na posição de Abel como o representante do bem. Esaú e Jacó começaram a lutar já dentro do ventre de sua mãe (Gn 25: 22-23) porque estavam em posições opostas. Por isso, Deus amou Jacó e rejeitou Esaú (Rm 9: 11-13), mas isso ocorreu por uma razão providencial: eles estavam em posição de restaurar por indenização os erros que Caim e Abel haviam cometido em suas ofertas.
Entretanto, antes que Esaú e Jacó pudessem estabelecer a condição de indenização para remover a natureza decaída e fazer a oferta substancial, Jacó tinha primeiramente que cumprir a condição de indenização para restaurar a posição de Abel. Ao todo, Jacó teve as seguintes missões: Primeiro, ele deveria cumprir a condição de indenização para restaurar a posição de Abel, a figura central da oferta substancial. A seguir, ele deveria fazer a oferta substancial. Finalmente, como será discutido na seção seguinte, Jacó entraria no Egito para iniciar o curso de quatrocentos anos de indenização requerido de seus descendentes pelo erro de Abraão na oferta simbólica. Jacó estabeleceu a condição de indenização para restaurar a posição de Abel da seguinte maneira.
Primeiro, Jacó cumpriu a condição de vitória para restaurar no nível individual a primogenitura do filho mais velho. Porque Satanás havia assumido domínio sobre o universo criado por Deus, ele também assumiu a posição do filho mais velho. Deus ficou com a posição do segundo filho, através da qual Ele teve que trabalhar a fim de restaurar a primogenitura. Por esta razão, Deus privilegiou os segundos filhos mais do que os primogênitos, como no caso de Esaú e Jacó: “Eu amei Jacó, mas aborreci a Esaú” (Ml 1: 2-3). Jacó, como o segundo filho que tinha a responsabilidade de restaurar a primogenitura do primeiro filho, obteve-a inteligentemente de Esaú, que a cedeu para Jacó em troca de um pedaço de pão e uma sopa de lentilhas (Gn 25: 29-34). Pelo fato de Jacó valorizar mais a primogenitura e de ter trabalhado para recuperá-la de seu irmão, Deus fez Isaque abençoá-lo (Gn 27: 27-29). Do outro lado, Deus não abençoou Esaú porque ele facilmente se desfez de sua primogenitura em troca de um pedaço de pão e de um prato de sopa de lentilhas.
Segundo: Jacó foi para Harã, que representava o mundo satânico. Depois de sofrer durante vinte e um anos de trabalho árduo, ele triunfou sobre Labão na luta para restaurar a primogenitura, conquistando a família e as riquezas como sua devida herança. Depois de conquistar esta vitória, Jacó retornou para Canaã.
Terceiro: em seu retorno para Canaã, a terra prometida da bênção, Jacó triunfou no confronto com um anjo no Vau de Jaboque, restaurando desse modo o domínio sobre o anjo em um esforço substancial. Através destas três vitórias, Jacó restaurou por indenização a posição de Abel. Assim, Jacó tornou-se a figura central da oferta substancial.
Dessa maneira, Esaú e Jacó conquistaram as posições em que Caim e Abel estavam no tempo em que Deus aceitou a oferta de Abel. Nestes termos, para que Jacó e Esaú cumprissem a condição de indenização para remover a natureza decaída, Esaú precisava amar e respeitar Jacó como seu mediador perante Deus, submeter-se obedientemente às diretivas de Jacó e, por fim, multiplicar o bem, herdando-o de Jacó, o portador da bênção de Deus. Certamente, quando Jacó retornou para Canaã com sua família e suas riquezas após suportar vinte e um anos de sofrimento em Harã, ele conseguiu levar Esaú a superar sua antiga hostilidade por ele: E levantou Jacó os olhos e olhou, e eis que vinha Esaú, e quatrocentos homens com ele. Então, repartiu os filhos entre Lia, e Raquel, e as duas servas. E pôs as servas e seus filhos na frente e a Léia e a seus filhos, atrás; porém a Raquel e José, os derradeiros. E ele mesmo passou adiante deles e inclinou-se à terra sete vezes, até que chegou a seu irmão. Então, Esaú correu-lhe ao encontro e abraçou-o; e lançou-se sobre o seu pescoço e beijou-o; e choraram. (Gn 33:1-4) Quando Esaú abriu seus braços e afetuosamente recebeu Jacó, ambos cumpriram a condição de indenização para remover a natureza decaída. E, pela primeira vez, o fundamento de substância foi estabelecido com sucesso. Quando Jacó e Esaú foram bem-sucedidos ao fazer a oferta substancial, restauraram por indenização as falhas anteriores na oferta substancial: as falhas de Caim e Abel na família de Adão e as falhas de Cam e Sem na família de Noé.
A vitória deles na Providência centralizada em Abraão também restaurou por indenização, horizontalmente em uma família, o longo curso vertical da história durante o qual Deus havia trabalhado para restaurar o fundamento de substância.
Esaú esteve na posição de ser rejeitado por Deus desde o tempo em que estava no ventre de sua mãe (Rm 9: 11-13), apenas porque Deus lhe tinha designado para o papel de Caim, que estava no lado de Satanás, com a finalidade de estabelecer uma condição de indenização na Providência da Restauração. Uma vez que Esaú submeteu-se a Jacó e cumpriu sua porção de responsabilidade, ele ocupou a posição de um Caim restaurado e foi qualificado para receber o amor de Deus.
3.3 O Fundamento para o Messias
O trabalho de Deus para estabelecer o fundamento para receber o Messias, que primeiramente Ele tentou estabelecer na família de Adão, teve que ser prolongado três vezes porque as figuras centrais da Providência da Restauração não puderam cumprir suas porções de responsabilidade. A terceira tentativa deu-se no tempo de Abraão. Contudo, mesmo aquela tentativa foi prolongada quando Abraão falhou na oferta simbólica. Isaque e sua família herdaram a Vontade e estabeleceram o fundamento de fé e o fundamento de substância. A seguir, o fundamento para o Messias foi estabelecido. Era de se esperar que o Messias tivesse vindo à Terra naquele tempo.
Entretanto, o fundamento para receber o Messias também requer um ambiente social propício para a sua vinda.
O fundamento deve fazê-lo factível de modo que este mundo satânico seja restaurado para o Reino de Deus governado pelo Messias. Nas providências com as famílias de Adão e Noé não havia outras famílias através das quais, eventualmente, Satanás pudesse atacar ou corromper a família central. Assim, se qualquer dessas famílias tivesse firmado o fundamento para receber o Messias em nível familiar, o Messias poderia ter vindo sem oposição já naquele tempo. Entretanto, no tempo de Abraão, o homem decaído já havia edificado nações satânicas que poderiam facilmente sobrepujar a família de Abraão. Assim, mesmo que o fundamento para receber o Messias fosse estabelecido naquele tempo, seria um fundamento limitado ao nível familiar. O Messias não poderia vir com segurança sobre esse fundamento. Um fundamento ao nível de um Estado soberano era necessário para lidar com as nações do mundo satânico. Tal suporte seria necessário mesmo que Abraão não tivesse falhado na oferta simbólica, e a oferta substancial para estabelecer o fundamento familiar para receber o Messias fosse concluída com sucesso através de seus filhos, Isaque e Ismael. Não obstante, ainda não era seguro para o Messias vir até que os descendentes de Abraão tivessem se multiplicado em Canaã e estabelecido um fundamento nacional para receber o Messias. Sendo assim, embora os descendentes de Isaque tenham estabelecido o fundamento familiar para receber o Messias, eles tiveram que sair de sua terra natal e sofrer em uma terra estrangeira por quatrocentos anos como indenização pelo erro de Abraão. Apesar de seu sofrimento no Egito, eles floresceram e consolidaram-se como um povo. Depois, eles retornaram para Canaã e edificaram o fundamento nacional para receber o Messias como uma nação soberana preparada para o Messias e sua missão (Cf. Moisés e Jesus 2.2.3.3.).
Um curso de indenização tinha sido colocado sobre os ombros dos descendentes de Abraão devido ao seu erro na oferta simbólica. Jacó foi quem iniciou este curso de indenização, não Isaque. Certamente, aquele que suportar o maior fardo ao percorrer o curso da indenização é a pessoa tipo Abel que assume a posição de figura central da oferta substancial. Abel na família de Adão, Cam na família de Noé, Isaque na família de Abraão e Jacó na família de Isaque suportaram as maiores aflições, percorrendo os cursos de indenização estabelecidos para suas famílias. Entre eles, Jacó foi a única figura tipo Abel que esteve sobre o fundamento para receber o Messias. Portanto, ele trilharia o curso-modelo para a separação de Satanás, estabelecendo o padrão para o Messias seguir por ocasião de sua vinda (Cf. Moisés e Jesus 1.).
A família de Jacó estava sobre o fundamento para receber o Messias que havia sido completado na família de Isaque. Herdando a posição da família de Isaque, eles teriam que completar a providência confiada a Abraão, assumindo a responsabilidade pelo pecado de Abraão e se colocando sobre o curso de quatrocentos anos de indenização.
Na família de Isaque foi Jacó, na posição de Abel, quem trilhou todo o curso de indenização. Na família de Jacó foi José, o filho de Raquel — esposa de Jacó no lado de Deus — que estava firmado na posição de Abel, entrando no Egito e trilhando o curso de indenização. Após ser vendido como escravo por seus irmãos e enviado para o Egito, José subiu ao posto de primeiro ministro do Egito com a idade de trinta anos. Ele testemunhou a realização da profecia que Deus havia dado a ele em seus sonhos enquanto ainda era criança (Gn 37: 5-11). Primeiramente, os meio-irmãos de José, nascidos de Lia — esposa de Jacó do lado de Satanás — entraram no Egito e submeteram-se a ele. Mais tarde, todos os filhos de Jacó entraram no Egito. Por fim, eles trouxeram seu pai para o Egito. Desta maneira, a família de Jacó iniciou o curso de indenização para edificar a nação que um dia receberia o Messias.
Jacó, como a figura central que estabeleceu o fundamento para receber o Messias na família de Isaque, era responsável para resolver o pecado de Abraão. Era também sua responsabilidade trilhar um curso de indenização para realizar em nível nacional a vontade que havia sido confiada a Isaque. Portanto, como aconteceu no caso de Abraão e Isaque, Deus considerou Abraão, Isaque e Jacó como a mesma pessoa com respeito à Sua vontade, mesmo sendo três indivíduos diferentes. Dessa forma, o sucesso de Jacó significou o sucesso de Isaque, e o sucesso de Isaque significou o sucesso de Abraão. A Providência da Restauração centralizada em Abraão, embora estendida para Isaque e Jacó, aos olhos de Deus veio a ser considerada como tendo sido realizada na própria geração de Abraão sem nenhum prolongamento. Está escrito: “Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó. E Moisés encobriu o seu rosto, porque temeu olhar para Deus” (Êx 3: 6). Este versículo indica que, embora fossem três gerações, Deus considerou aqueles antepassados que coletivamente realizaram a Sua vontade como uma única geração.
Deus pretendia realizar a meta de Sua Providência estabelecendo o fundamento nacional para receber o Messias, e enviando o Messias para aquela nação preparada. Para realizar essa providência, Deus mandou a família de Jacó entrar no Egito, o mundo satânico, onde sofreriam como escravos por quatrocentos anos. Então, como prometido para Abraão, Deus os levantou como o povo eleito e os trouxe de volta para Canaã.
O fundamento para o Messias estabelecido na família de Isaque tornou-se a base sobre a qual teve início o curso de indenização para estabelecer o fundamento nacional para o Messias. O período de dois mil anos de Adão a Abraão era, de fato, o período para estabelecer a base para o início daquela providência nacional na era seguinte.
Em conclusão: Jacó foi vitorioso ao assumir responsabilidade pelo curso de indenização como pagamento pelo erro de Abraão. Usando sua sabedoria em benefício da vontade de Deus, Jacó triunfou como indivíduo em seu esforço com Esaú a fim de conquistar a primogenitura. Ele entrou em Harã como uma família e triunfou em seu esforço de vinte e um anos com seu tio Labão para conquistar a primogenitura. Em seu caminho de volta de Harã para Canaã, Jacó foi vitorioso na luta com o anjo. Ele foi também o primeiro homem decaído que cumpriu a condição de indenização para restaurar o domínio sobre os anjos. Por isso, ele recebeu o título de Israel (Gn 32: 28), significando que ele fixou o padrão e estabeleceu o fundamento sobre o qual o povo eleito seria estabelecido.
Após seu retorno a Canaã com estas vitórias, Jacó conquistou o coração de Esaú e, juntos, eles cumpriram a condição de indenização para remover a natureza decaída. Assim, Jacó concluiu vitoriosamente o curso-modelo para subjugar Satanás. Moisés, Jesus e mesmo o povo de Israel andariam por um curso semelhante depois que o padrão foi assentado por Jacó. A história de Israel pode servir como uma boa fonte histórica para se compreender o curso para a subjugação de Satanás em nível nacional. Por essa razão, este curso é fundamental para o estudo da Providência da Restauração.
3.4 Algumas Lições Aprendidas Com O Curso De Abraão
Primeiro: O curso de Abraão demonstra que a predestinação de Deus com relação à maneira pela qual Sua vontade é realizada, é condicional. A Providência da Restauração não pode ser realizada somente pelo poder de Deus; esta somente é realizada em conjunto com a porção de responsabilidade humana. Assim, embora Deus tivesse chamado Abraão com a finalidade de realizar a Providência da Restauração, quando ele falhou em cumprir sua responsabilidade, a vontade de Deus não foi realizada.
Segundo: O curso de Abraão demonstra que a predestinação de Deus com relação aos seres humanos é condicional. Embora Deus tenha determinado Abraão para ser o pai da fé depois do sucesso em sua oferta, quando ele não pôde completar sua responsabilidade, esta missão se estendeu até Isaque e Jacó.
Terceiro: O curso de Abraão nos mostra que quando os seres humanos falham em cumprir sua responsabilidade, a realização da vontade de Deus é sempre prolongada, e sua restauração requer a realização de uma condição de indenização maior. No caso de Abraão, a vontade de Deus seria realizada por meio do mero sacrifício de alguns animais. Todavia, devido à sua falha, teve que ser realizada através da oferta de seu amado filho Isaque como um sacrifício e tendo que ser concluído por Isaque e Jacó.
Quarto: O ato de cortar as ofertas ao meio por Abraão fornece-nos a lição de que cada um de nós deve se dividir como uma oferta para separar o bem do mal. Uma vida de fé envolve colocar-se na posição de uma oferta. Somente dividindo o bem e o mal em nós mesmos podemos nos tornar ofertas vivas aceitáveis por Deus. Devemos constantemente separar o bem e o mal dentro de nós, de acordo com o padrão da vontade de Deus. Se negligenciarmos essa ordem de Deus, estaremos estabelecendo uma condição para Satanás nos invadir.