Seção 1. A Providência da Restauração na Família de Adão
Mesmo que a Queda tenha resultado da falha humana, Deus sentiu-Se responsável para salvar a humanidade decaída (Cf. Escatologia 2.1.). Portanto, Deus iniciou imediatamente Sua Providência para restaurar o homem decaído, tendo a família de Adão que estabelecer o fundamento para receber o Messias.
Devido à ligação de sangue de Adão com Satanás, ele estava na posição de meio caminho, relacionando-se com Deus e com Satanás (Cf. Restauração 1.1.). Para uma pessoa decaída, que está em posição de meio caminho, ser purificada, passar para o lado de Deus e estabelecer o fundamento para receber o Messias, ela deve cumprir uma condição de indenização. Consequentemente, para a Providência da Restauração ser realizada na família de Adão, os membros de sua família tiveram que estabelecer determinadas condições de indenização para restaurar o fundamento de fé e o fundamento de substância. Sobre estes dois fundamentos, o fundamento para receber o Messias teria sido estabelecido e, assim, o Messias poderia ter vindo na família de Adão.
1.1 O Fundamento de Fé
Para restaurar por indenização o fundamento de fé, o homem decaído deve estabelecer um objeto condicional. Devido à sua descrença, Adão perdeu a Palavra de Deus, a qual lhe havia sido dada a fim de que ele cumprisse a condição necessária para estabelecer o fundamento de fé. Entretanto, Adão caiu para uma posição onde, por longo tempo, não poderia receber a Palavra de Deus diretamente. Consequentemente, para restaurar o fundamento de fé, Adão teve que oferecer de maneira fiel e aceitável para Deus alguns objetos condicionais, em substituição a Palavra de Deus. Para a família de Adão este objeto era a oferta de um sacrifício.
Para restaurar o fundamento de fé deve haver também uma figura central. Era natural que a figura central na família de Adão fosse o próprio Adão. Era natural também que Adão tivesse oferecido o sacrifício, e que o modo como ele fizesse a oferta, de maneira aceitável ou não, determinaria o sucesso ou o fracasso em estabelecer o fundamento de fé.
Todavia, não há nenhum registro bíblico onde encontramos Adão oferecendo um sacrifício. Em vez disso, seus filhos Caim e Abel o fizeram. Qual foi a razão para isso?
De acordo com o Princípio da Criação, os seres humanos foram criados para atender somente a um Senhor (Mt 6: 24). Deus não pode conduzir Sua Providência em conformidade com o Princípio com alguém que atende a dois senhores. Se Deus aceitasse Adão e sua oferta, Satanás usaria sua ligação de sangue com Adão como uma condição através da qual também reivindicaria Adão e sua oferta para si. Neste caso, Adão estaria na situação fora do Princípio de servir a dois senhores: Deus e Satanás. Assim, não podendo conduzir tal providência fora do Princípio, Deus adotou o curso de dividir simbolicamente Adão, que incorporava o bem e o mal, em duas partes: uma representando o bem e outra representando o mal — um acordo alinhado com o Princípio. Por esta razão, Deus deu dois filhos a Adão, representando o bem e mal e estabeleceu-os em posições onde cada um trataria somente com um senhor, Deus ou Satanás. Depois de feito este acordo, Deus pediu aos dois filhos de Adão para oferecerem sacrifícios separadamente.
Caim e Abel eram filhos de Adão. Qual deles representava o bem e se relacionava com Deus, e qual representava o mal e interagia com Satanás?
Caim e Abel eram, ambos, frutos da Queda de Eva; portanto, suas posições relativas foram determinadas de acordo com este fato. A Queda de Eva consumou-se através de dois relacionamentos distintos de amor ilícito. O primeiro foi a Queda espiritual através do seu ato de amor com o arcanjo. O segundo foi a Queda física através do seu ato de amor com Adão.
Certamente, os dois relacionamentos foram atos decaídos. Contudo, entre os dois, o segundo ato de amor estava mais alinhado com o Princípio e era mais perdoável do que o primeiro. O primeiro ato decaído de Eva foi motivado por seu excessivo desejo de desfrutar daquilo que ainda não era o momento de desfrutar e ter seus olhos abertos como os de Deus (Gn 3: 5). Este desejo conduziu-a a consumar um relacionamento de amor sexual fora do Princípio com o arcanjo. Em comparação, o segundo ato decaído de Eva foi motivado por seu ardente desejo de retornar para o seio de Deus após ela ter compreendido que seu primeiro ato decaído tinha sido ilícito. Este desejo conduziu-a a consumar um relacionamento com Adão, seu futuro esposo, de acordo com o Princípio, mesmo ainda não permitido por Deus (Cf. A Queda Humana 2.2.).
Caim e Abel eram, ambos, frutos do amor ilícito de Eva. Assim, Deus distinguiu entre eles com base nos dois atos de amor ilícito de Eva, e estabeleceu, desse modo, Caim e Abel em duas posições opostas. Em outras palavras, pelo fato de Caim ser o primeiro fruto do amor de Eva, representando o primeiro ato de amor decaído com o arcanjo, ele foi o escolhido para representar o mal. Consequentemente, Caim estava em uma posição de relacionar-se com Satanás. Pelo fato de Abel ser o segundo fruto do amor de Eva, representando o segundo ato de amor decaído com Adão, ele foi escolhido para representar o bem. Consequentemente, ele estava em uma posição de relacionar-se com Deus.
Por sua parte, Satanás assumiu o controle da Criação, que Deus havia criado pelo Princípio, e estabeleceu um mundo fora do Princípio, mantendo apenas a aparência externa do mundo planejado por Deus. Originalmente, no mundo ideal, Deus pretendia estabelecer o filho mais velho com o direito de herdar a primogenitura. Consequentemente, Satanás sentia maior afeição pelo filho mais velho do que pelo mais jovem. Como Satanás já havia reivindicado o universo, ele disputou com Deus pelo filho mais velho, Caim, que era mais valioso para ele. Pelo fato de Satanás ter maior afeição por Caim, Deus optou por tratar com Abel.
A Bíblia confirma a escolha entre o primeiro e o segundo filho. Por exemplo, Deus disse para Caim: “Se bem fizeres, não haverá aceitação para ti? E, se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e para ti será o seu desejo, e sobre ele dominarás” (Gn 4: 7). Assim, podemos compreender que Caim tinha uma base para se relacionar com Satanás.
Quando os israelitas estavam prestes a fugir do Egito, Deus golpeou os primogênitos dos egípcios, incluindo os primogênitos dos animais (Êx 12: 29), porque os egípcios, como servos de Satanás, estavam na posição de Caim. Quando os israelitas estavam retornando para a terra de Canaã, somente os levitas, que estavam na posição de Abel, o filho mais novo, tinham permissão de carregar a Arca da Aliança (Nm 1: 50-53; Dt 31: 25).
Está escrito que Deus amou o segundo filho, Jacó e rejeitou o primeiro filho, Esaú, quando estes ainda estavam dentro do ventre de sua mãe (Rm 9: 11-13). Eles foram colocados nas posições de Caim e Abel com base unicamente na distinção de quem devia ser o filho primogênito. Quando Jacó foi abençoar seus dois netos, Efraim e Manassés, cruzou suas mãos e colocou sua mão direita sobre a cabeça de Efraim, o segundo filho na posição de Abel, para dar a ele a primeira e maior bênção (Gn 48: 14).
De acordo com este princípio, Deus colocou Caim e Abel em posições onde cada um poderia tratar com apenas um senhor, e pediu-lhes que fizessem a oferta (Gn 4: 3-5).
Quando Caim e Abel fizeram suas ofertas “E Abel também trouxe dos primogênitos de suas ovelhas e da sua gordura; e atentou o Senhor para Abel e para a sua oferta” (Gn 4: 4). Por que Deus aceitou a oferta de Abel e rejeitou a de Caim? Deus aceitou a oferta de Abel porque ele estava em um relacionamento mais próximo de Deus e fez a oferta de maneira aceitável a Ele (Hb 11: 4). Desse modo, Abel estabeleceu com sucesso o fundamento de fé na família de Adão. Ele é o exemplo de como um homem decaído pode fazer uma oferta aceitável a Deus, satisfazendo as condições necessárias.
Deus não rejeitou a oferta de Caim porque o odiasse, mas porque Caim estava em posição de relacionar-se mais intimamente com Satanás; como isto dava a Satanás direitos sobre a sua oferta, Deus não poderia aceitar a oferta de Caim, a menos que fosse estabelecida alguma condição prévia que justificasse sua aceitação. O exemplo de Caim mostra que, para que um homem decaído, que possui íntima conexão com Satanás, retorne para o lado de Deus, ele deve estabelecer uma condição de indenização.
Que condição de indenização Caim deveria ter feito? Era a condição de indenização para remover a natureza decaída.
1.2 O Fundamento de Substância
Se Caim tivesse cumprido a condição de indenização para remover a natureza decaída, Deus teria aceitado sua oferta com alegria. O fundamento de substância teria, então, sido estabelecido na família de Adão. Como Caim deveria ter feito a condição de indenização para remover a natureza decaída?
Os primeiros antepassados humanos caíram, sucumbindo ao arcanjo, de quem herdaram a natureza decaída. Para remover a natureza decaída, o homem deve estabelecer uma condição de indenização de acordo com o princípio da restauração por indenização, percorrendo um curso inverso ao processo através do qual, inicialmente, adquiriu a natureza decaída.
O arcanjo caiu porque não amou Adão; em vez disso, ele teve ciúme de Adão, que recebia mais amor de Deus do que ele. Esta foi a causa da primeira característica preliminar da natureza decaída: não tomar o ponto de vista de Deus. Para remover esta característica da natureza decaída, Caim, que estava na posição de arcanjo, teria que tomar o ponto de vista de Deus amando a Abel, que estava na posição de Adão.
O arcanjo caiu porque não respeitou Adão como mediador de Deus e não recebeu o amor de Deus através dele; ao contrário, ele tentou tomar a posição de Adão. Essa foi a causa da segunda característica preliminar da natureza decaída: abandonar sua própria posição. Para remover essa característica da natureza decaída, Caim, que estava na posição de arcanjo, teria que receber o amor de Deus através de Abel, que estava na posição de Adão, respeitando-o como o mediador de Deus. Dessa forma, Caim teria mantido sua devida posição.
O arcanjo caiu quando reivindicou domínio sobre Eva e Adão, que eram seus senhores por direito. Esta foi a causa da terceira característica preliminar da natureza decaída: inverter o domínio. Para remover esta característica da natureza decaída, Caim, que estava na posição de arcanjo, teria que obedientemente ter se submetido a Abel, que estava na posição de Adão. Aceitando o domínio de Abel, Caim teria restaurado a ordem do domínio.
Deus disse para Adão não comer do fruto da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. Adão deveria ter transmitido esta vontade para Eva, que por sua vez deveria tê-la transmitido para o arcanjo, multiplicando o bem. Em vez disso, o arcanjo transmitiu para Eva sua vontade má, afirmando ser permissível comer do fruto. Eva, por sua vez, transmitiu esta vontade errada para Adão, levando-o a cair. Esta foi a causa da quarta característica primária da natureza decaída: multiplicar o mal. Para remover essa característica da natureza decaída, Caim, que estava na posição de arcanjo, deveria ter sido receptivo às intenções de Abel, que estava próximo a Deus, e ser instruído por ele sobre a vontade de Deus. Assim, Caim deveria ter feito um fundamento para multiplicar o bem.
Há muitos exemplos na vida humana que correspondem à situação de Caim e Abel.
Quando olhamos para dentro de nós mesmos, encontramos nossa mente interior que se deleita na lei de Deus (Rm 7: 22). Ela está na posição de Abel, enquanto nosso corpo, que atende à lei do pecado (Rm 7: 25), está na posição de Caim. Podemos nos tornar bons apenas se nosso corpo seguir obedientemente à nossa mente, que nos dirige para o bem. Entretanto, muito frequentemente, nosso corpo se rebela contra as diretivas da mente, repetindo por analogia o assassinato de Abel por Caim. Esta é a forma como o mal cresce dentro de nós. Por esta razão, o modo de vida religioso requer que façamos nosso corpo se submeter aos comandos elevados de nossa mente, tal como Caim deveria ter se submetido e seguido a Abel.
Podemos também ver situação idêntica na prática de se fazer ofertas. Desde que caímos para a posição de sermos “mais enganosos do que todas as coisas” (Jr 17: 9), os seres da Criação estão na posição de Abel. Assim, através das ofertas podemos estar diante de Deus. Vejamos mais um outro exemplo. A tendência universal de procurar bons líderes e amigos corretos provém de nosso íntimo desejo de estar diante de Deus, através de uma figura tipo Abel que esteja mais próxima de Deus. Unindo-nos com ele, podemos, por nós mesmos, estar próximos de Deus.
A fé cristã nos ensina a sermos afetuosos e humildes. Vivendo dessa forma podemos encontrar nossa figura tipo Abel e assim encontrar o modo de estar diante de Deus. Nos relacionamentos em todos os níveis da sociedade — do nível individual aos níveis de famílias, comunidades, sociedades, nações e mundo — encontramos uma parcela de pessoas que estão no papel de Abel e outras que estão no papel de Caim. A fim de restaurar a sociedade em cada nível ao estado originalmente planejado por Deus, as pessoas em posição de Caim devem respeitar e obedecer àquelas em posição de Abel. Jesus veio a este mundo como a figura Abel, a quem toda a humanidade deveria ter se submetido e seguido. Por essa razão, ele disse: “Ninguém vai ao Pai, senão por mim” (Jo 14: 6).
Se Caim tivesse se rendido a Abel e cumprido a condição de indenização para remover a natureza decaída na família de Adão, o fundamento de substância teria sido estabelecido. Junto com o fundamento de fé, já estabelecido, a família de Adão teria estabelecido o fundamento para o Messias. O Messias então, teria vindo para eles e restaurado o fundamento de quatro posições original. Em vez disso, Caim matou Abel. Ao assassinar Abel, Caim repetiu o pecado do arcanjo. Isto é, ele repetiu o mesmo processo que havia dado origem às características primárias da natureza decaída. Assim, a família de Adão falhou em estabelecer o fundamento de substância. Consequentemente, a Providência da Restauração de Deus através da família de Adão não pôde ser cumprida.
1.3 O Fundamento para receber o Messias na Família de Adão
O fundamento para receber o Messias é estabelecido após a restauração do fundamento de fé, através da indenização; somente então pode ser estabelecido o fundamento de substância. Com respeito às ofertas requeridas, o fundamento de fé é restaurado fazendo-se uma oferta simbólica aceitável e o fundamento de substância, fazendo-se uma oferta substancial aceitável. Examinemos o significado e a finalidade da oferta simbólica e da oferta substancial.
As três grandes bênçãos, que são a finalidade da Criação de Deus, seriam realizadas quando Adão e Eva, depois de aperfeiçoarem seu caráter individual, se tornassem esposo e esposa. Eles dariam nascimento a bons filhos, formariam uma boa família e exerceriam o domínio sobre o mundo natural. Entretanto, devido à Queda, as três grandes bênçãos foram perdidas. A forma de restaurá-las requer que tomemos o curso inverso. Primeiro, devemos estabelecer o fundamento de fé fazendo a oferta simbólica, a qual cumpre uma condição de indenização para a restauração de todas as coisas e uma condição de indenização para a restauração simbólica do ser humano. Em seguida, devemos estabelecer o fundamento de substância fazendo a oferta substancial, a qual cumpre uma condição de indenização para a restauração primeiramente dos filhos e depois dos pais. Sobre esta base, podemos estabelecer o fundamento para receber o Messias. Podemos considerar o significado e a finalidade da oferta simbólica de duas formas.
Primeiramente, como discutido acima (Cf. A Queda Humana 4.1.), Satanás obteve o domínio sobre o mundo natural através de seu domínio sobre os seres humanos. Por esta razão, está escrito: “Porque sabemos que toda a Criação geme e está juntamente com dores de parto até agora” (Rm 8: 22). Assim, uma das finalidades de se fazer a oferta simbólica de todas as coisas é permitir que as coisas possam ser reais parceiros-objeto de Deus em símbolo. Isto representa uma condição de indenização para a restauração do mundo natural de volta ao seu relacionamento original com Deus.
Segundo, uma vez que os seres humanos caíram para uma posição inferior às coisas da Criação (Jr 17: 9), é preciso restaurar todas as coisas com o objetivo de estar diante de Deus. Isso está de acordo com o Princípio da Criação, o qual estabelece que alguém só pode se aproximar de Deus através daquele que está mais perto d‘Ele. A segunda finalidade para se fazer uma oferta simbólica é cumprir uma condição de indenização para a restauração simbólica dos seres humanos.
De outro lado, a oferta substancial é uma oferta interna. Seguindo a ordem da Criação, sob a qual Deus criou originalmente todas as coisas, e mais tarde, os seres humanos, esta oferta interna que restaura os seres humanos somente pode ser feita no fundamento de uma oferta interna aceitável. Depois que a oferta simbólica cumpre uma condição de indenização tanto para a restauração de todas as coisas como também para a restauração simbólica dos seres humanos, devemos fazer a oferta substancial, a qual cumpre uma condição de indenização para a completa restauração dos seres humanos.
A oferta substancial significa cumprir a condição de indenização para remover a natureza decaída. Isto é essencial para a real restauração dos seres humanos. A oferta substancial é realizada quando uma pessoa na posição de Caim honra a pessoa na posição de Abel e a coloca acima de si mesmo como uma oferta. Feito isso, ambos cumprem a condição de indenização para serem restaurados como bons filhos. Simultaneamente, a mesma condição é também computada como a condição de indenização para a restauração dos pais. Dessa maneira, a oferta substancial se consuma conforme a expectativa de Deus. Como podemos entender a condição de indenização para a restauração dos pais?
Para estabelecer o fundamento para receber o Messias na família de Adão, este deveria ter sido a pessoa competente para estabelecer o fundamento de fé, fazendo a oferta simbólica. Entretanto, como explicado acima, Adão não poderia fazer a oferta, porque se tivesse tentado, seus dois senhores, Deus e Satanás, poderiam disputá-la — numa situação fora do Princípio. Além disso, partindo do aspecto do sentimento e do coração, existia uma outra razão.
O Adão decaído era o mesmo pecador que havia causado a dor e a mágoa do coração de Deus, a qual já dura muitos milhares de anos. Assim, Adão não era digno de ser o amado do coração de Deus, com quem Deus poderia trabalhar diretamente para completar a Providência da Restauração. Dessa forma, Deus escolheu o segundo filho de Adão, Abel, e mandou-o fazer uma oferta simbólica. Abel cumpriu a condição de indenização para a restauração de todas as coisas e a restauração simbólica dos seres humanos. Se Caim e Abel tivessem cumprido a condição de indenização para a restauração dos filhos, fazendo a oferta substancial aceitável, seu pai, Adão, compartilharia da vitória deste fundamento de substância. Assim, a família de Adão teria estabelecido o fundamento para receber o Messias.
Antes que a oferta substancial possa ser feita, a figura central da oferta — a pessoa que fará a oferta — deve ser escolhida. Deus pediu para Abel fazer a oferta simbólica por duas razões: primeiro, para fazê-lo estabelecer o fundamento de fé no lugar de Adão; segundo, para qualificá-lo para ser a figura central da oferta substancial.
Caim deveria cumprir a condição de indenização para remover a natureza decaída. Sua realização teria resultado no cumprimento da condição por toda a família de Adão.
Como isso seria possível? Esta situação pode ser comparada com a situação dos primeiros antepassados humanos, que poderiam ter ajudado Deus a realizar inteiramente a Sua vontade, obedecendo à Sua Palavra. Também pode ser comparada com a situação do povo judeu na época de Jesus, que poderia ter ajudado Jesus a realizar sua vontade de trazer a salvação completa para a humanidade, acreditando nele. Se Caim tivesse se submetido a Abel e cumprido a condição de indenização para remover a natureza decaída, ambos os filhos teriam sido considerados como tendo cumprido, juntos, a condição de indenização.
Caim e Abel eram a descendência de Adão, as incorporações do bem e do mal. Se eles tivessem se desvencilhado das correntes de Satanás, cumprindo a condição de indenização para remover a natureza decaída, Adão, seu pai, também poderia ter se separado de Satanás e estaria sobre o mesmo fundamento de substância. Assim, o fundamento para receber o Messias teria sido estabelecido pela família como um todo. Em resumo, se Caim e Abel tivessem vencido ao fazer a oferta substancial, a condição de indenização para a restauração dos pais teria sido cumprida.
Quando Abel fez sua oferta de maneira aceitável a Deus, cumpriu a condição de indenização para restaurar o fundamento de fé de Adão e estabeleceu firmemente sua posição como figura central da oferta substancial. Entretanto, quando Caim assassinou Abel, eles reeditaram a Queda, na qual o arcanjo havia assassinado espiritualmente Eva. É desnecessário dizer que eles não cumpriram a condição de indenização para remover a natureza decaída e falharam em fazer a oferta substancial. Desse modo, nem o fundamento de substância nem o fundamento para receber o Messias puderam ser estabelecidos. Assim, a Providência da Restauração na família de Adão foi anulada.
1.4 Algumas Lições Aprendidas com a Família de Adão
A falha na Providência da Restauração de Deus na família de Adão nos ensina algo sobre a predestinação condicional de Deus para o cumprimento de Sua vontade e sobre Seu absoluto respeito pela porção de responsabilidade humana. Desde a criação do universo, Deus predestinou que Sua vontade fosse completada com base na combinação do cumprimento da porção de responsabilidade de Deus e da porção de responsabilidade humana. Deus não poderia instruir Caim e Abel sobre como fazer corretamente suas ofertas, porque era porção de responsabilidade deles que Caim fizesse sua oferta com a ajuda de Abel.
Em segundo lugar, mesmo após Caim ter matado Abel, Deus iniciou um novo capítulo de Sua Providência estabelecendo Set, o terceiro filho de Adão, no lugar de Abel. Isto nos mostra que Deus havia predestinado absolutamente que Sua vontade seria cumprida um dia, mesmo sendo condicional a Sua predestinação a respeito dos seres humanos. Deus predeterminou que Abel fosse bem-sucedido como figura central da oferta substancial, cumprindo sua própria porção de responsabilidade. Portanto, quando Abel não pôde completar sua responsabilidade, Deus escolheu Set em seu lugar e continuou Seu esforço para realizar a Vontade, a qual estava predestinada a ser realizada impreterivelmente.
Em terceiro lugar, através das ofertas de Caim e Abel, Deus nos ensina que os homens decaídos devem constantemente procurar por uma pessoa de tipo Abel. Honrando, obedecendo e seguindo-a, podemos realizar a vontade de Deus, mesmo sem compreender todos os seus aspectos.
A providência por meio da qual Deus trabalhou para cumprir Sua vontade através da família de Adão foi repetida várias vezes devido à falta de fé dos seres humanos. Consequentemente, este curso resultou em um curso de indenização pelo qual nós mesmos devemos caminhar. Assim, a Providência da Restauração na família de Adão nos fornece muitas valiosas lições para o nosso próprio caminho de fé.