Estudo e prática do Princípio
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Seção 2. A Energia Primária Universal, a Ação de Dar e Receber e o Fundamento de Quatro Posições

2.1 A Energia Primária Universal

Deus, o Criador de todas as coisas, é a realidade absoluta, eterna, auto-existente e transcendente de tempo e espaço. A energia fundamental do Seu ser também é eterna, auto-existente e absoluta. É a origem de todas as energias e forças que permitem todos os seres criados existirem. Chamamos esta energia fundamental de Energia Primária Universal.

2.2 A Ação de Dar e Receber

Por meio da ação da Energia Primária Universal, os elementos sujeito e objeto de cada ser formam uma base comum e entram em interação. Por sua vez, esta interação gera todas as forças que o ser necessita para existir, multiplicar-se e agir. A interação que gera estas forças através deste processo chama-se ação de dar e receber. A Energia Primária Universal e as forças geradas pela ação de dar e receber estão num relacionamento recíproco de causa e efeito, interno e externo, parceiro-sujeito e parceiro-objeto. A Energia Primária Universal é uma força vertical, enquanto que as forças geradas pela ação de dar e receber são forças horizontais.

Analisemos, em detalhes, Deus e Sua Criação em termos da Energia Primária Universal e da ação de dar e receber.

A Energia Primária Universal de Deus direciona as Suas eternas características duais a formarem uma base comum para o seu relacionamento mútuo. Elas envolvem-se, então, numa ação de dar e receber. Baseando-se nas forças geradas por esta ação de dar e receber, as características duais constroem um fundamento para a sua reciprocidade eterna. Este é o fundamento da existência de Deus, sobre o qual Ele existe eternamente e gera todas as forças necessárias para criar e sustentar o universo.

No universo criado, as características duais constituintes de cada ser recebem o poder da Energia Primária Universal para estabelecerem uma base comum, envolvendo-se numa ação de dar e receber. Baseando-se nas forças geradas por esta ação de dar e receber, as características duais constroem um fundamento para sua contínua reciprocidade. Isto se torna o fundamento para a existência de cada ser individual, sobre o qual cada ser se torna um parceiro-objeto de Deus e é capaz de gerar todas as forças necessárias para manter a sua existência.

Por exemplo, átomos vêm a existir quando elétrons se reúnem em torno de um núcleo e entram em interação eletromagnética, que é um gênero de ação de dar e receber. Quando íons positivos e íons negativos realizam uma ação de dar e receber, eles formam moléculas e produzem reações químicas.

A ação de dar e receber entre cargas elétricas positivas e negativas causa todos os fenômenos elétricos.

A circulação de nutrientes entre o xilema e o floema é uma das ações de dar e receber que ocorre nas plantas e que mantém suas funções vitais, promovendo o seu crescimento. A ação de dar e receber entre estames e pistilos é o meio de reprodução predominante nas plantas.

Os animais se multiplicam e mantêm suas espécies através da ação de dar e receber entre macho e fêmea. Os animais e as plantas coexistem por meio de ações de dar e receber como, por exemplo, a troca de oxigênio e dióxido de carbono e a cooperação entre abelhas e flores.

Com relação aos corpos celestes, o sistema solar existe baseado na ação de dar e receber entre o sol e os planetas. Os seus variados movimentos estruturam o universo. A Terra e a lua também mantêm suas rotações e movimentos numa órbita estabelecida através da ação de dar e receber.

O corpo humano mantém sua vida através das ações de dar e receber entre artérias e veias, inalação e exalação, nervos simpáticos e parassimpáticos, etc. A ação de dar e receber entre a mente e o corpo permite ao indivíduo realizar as atividades que promovem a finalidade da vida.

As ações de dar e receber entre marido e esposa em uma família, entre pessoas numa sociedade, entre governo e cidadãos numa nação e entre as nações do mundo são essenciais para que todos possam viver juntos em paz e harmonia.

Por mais que uma pessoa seja má, a força de sua consciência, que a impele para uma vida virtuosa, está sempre ativa em seu íntimo. Isto se aplica a todas as pessoas de todas as idades e de todos os lugares do mundo. Ninguém pode sufocar a força da consciência que opera poderosamente, mesmo não estando consciente de sua atividade. No momento em que uma pessoa comete uma má ação, sente imediatamente sua consciência pesada. Se a função da consciência estivesse ausente nas pessoas decaídas, a Providência da Restauração de Deus seria impossível.

Mas, como é gerada esta força da consciência? Uma vez que todas as forças são produzidas pela ação de dar e receber, a consciência não pode gerar por si só a força necessária para sua operação. Isto é, a consciência só pode operar quando forma uma base comum com algum parceiro-sujeito e se envolve numa ação de dar e receber com ele. O parceiro-sujeito fundamental da nossa consciência é Deus.

A Queda humana, em sua essência, prejudicou o nosso relacionamento com Deus. Ao invés de alcançarem a união com Deus, nossos antepassados envolveram-se em um relacionamento mútuo com Satanás, unindo-se a ele. Jesus foi o único Filho gerado de Deus; ele atingiu a unidade com Deus através de uma perfeita ação de dar e receber. Quando nos unimos a Jesus em um perfeito relacionamento recíproco, podemos recuperar a nossa natureza original concedida por Deus. Podemos cultivar um relacionamento de dar e receber com Deus para nós nos tornarmos um com Ele. Foi assim que Jesus serviu de mediador para as pessoas decaídas; ele é o nosso caminho, a verdade e a vida. Jesus veio com amor e sacrifício para dar tudo o que ele tinha para a humanidade, inclusive oferecendo sua vida. Se nós voltarmos para ele com fé não pereceremos mas, teremos a vida eterna (Jo 3:16).

O Cristianismo é uma religião de amor. Por meio do amor e sacrifício, ela se esforça para abrir o caminho que restaura os relacionamentos horizontais de dar e receber entre as pessoas, centralizadas no amor de Cristo. Neste fundamento horizontal de amor o caminho é aberto para restaurar nosso relacionamento vertical de dar e receber com Deus. Na verdade, este foi o principal propósito de todos os ensinamentos e obras de Jesus. Por exemplo, Jesus disse: Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juizo com que julgardes, sereis julgados, e, com a medida com que tiverdes medido, vos ão de medir a vós. — Mt 7:1-2 Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas. — Mt 7:12 Portanto, qualquer que me confessar diante dos homens, eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos Céus. — Mt 10:32 Quem recebe um profeta em qualidade de profeta, receberá galardão de profeta; e quem recebe um justo em qualidade de justo, receberá galardão de justo. — Mt 10:41 E qualquer que tiver dado só que seja um copo de água fria, a um destes pequenos em nome de discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão. (Mt 10:42)

2.3 O Fundamento de Quatro Posições que Realiza o Propósito dos Três Objetos através da Ação de Origem-Divisão-União

2.3.1 A Ação de Origem-Divisão-União

O processo de criação de Deus começa quando Suas características duais, impulsionadas pela Sua Energia Primária Universal, formam uma base comum. À medida que realizam uma ação de dar e receber, elas geram uma força que leva à multiplicação. Esta força projeta as características duais em parceiros-objeto substanciais distintos, cada um relacionando-se com Deus como seu centro. Estes parceiros-objeto de Deus assumem então, a posição de parceiro-sujeito e parceiro-objeto entre si, à medida que são impelidos pela Energia Primária Universal a formar uma base comum e a envolverem-se em ações de dar e receber. Em seguida, eles se juntam numa união harmoniosa para formar um novo parceiro-objeto de Deus. Todo este processo — no qual duas entidades se manifestam separadamente e voltam a reunir-se numa unidade — é chamado de ação de origem-divisão-união.

2.3.2 O Propósito dos Três Objetos

Como um resultado da ação de origem-divisão-união, quatro posições são formadas: a origem no centro, o parceiro-sujeito e o parceiro-objeto (parceiros-objeto substanciais distintos na origem do modelo das suas características duais) e a união deles. Qualquer uma das quatro posições pode assumir a posição de parceiro-sujeito, e envolver as outras três como parceiros-objeto, formando uma comunhão de três parceiros-objeto. Quando cada uma age na posição de parceiro-sujeito e inicia uma ação de dar e receber com as outras três ao seu redor, estas cumprem o propósito dos três parceiros-objeto.

2.3.3 O Fundamento de Quatro Posições

Quando, através da ação de origem-divisão-união, a origem, o parceiro-sujeito e o parceiro-objeto projetados da origem e a união deles cumprem, em conjunto, o propósito dos três parceiros-objeto, o fundamento de quatro posições é estabelecido.

O fundamento de quatro posições é a raiz do número quatro. É também a raiz do número três porque é o cumprimento da finalidade de três parceiros-objeto. O fundamento de quatro posições é realizado por Deus, marido e esposa e filhos; eles completam os três estágios da ação de origem-divisão-união. Por isso, o fundamento de quatro posições é a raiz do princípio dos três estágios. Além disso, nesse fundamento, cada uma das quatro posições relaciona-se com três parceiros-objeto, cumprindo a finalidade de três parceiros-objeto. No total, existem doze parceiros-objeto e, por isso, é a raiz do número doze. O fundamento de quatro posições é a base fundamental do bem. É a realização da finalidade da Criação de Deus; a base fundamental para a vida de todos os seres, fornecendo todas as forças necessárias para a sua existência e permitindo a Deus habitar neles. Portanto, o fundamento de quatro posições é a finalidade eterna da Criação de Deus.

2.3.4 O Modo de Existência do Fundamento de Quatro Posições

Todos os seres que tenham completado o fundamento de quatro posições, cumprindo o propósito dos três objetos através da ação de origemdivisão-união, movem-se em trajetórias circulares (elípticas) ou esféricas. Como resultado, eles existem em três dimensões. Investiguemos agora a razão disto.

Através da ação de origem-divisão-união, as características duais de Deus são projetadas para formar dois parceiros-objeto substanciais distintos que interagem entre si como parceiro-sujeito e parceiro-objeto. O parceiro-objeto responde ao parceiro-sujeito para formar uma base comum e iniciar uma ação de dar e receber com o parceiro-sujeito. Equilibrados pela força de dar (centrífuga) e pela força de receber (centrípeta), o parceiro-objeto gira em torno do parceiro-sujeito em um movimento circular, harmonizados e unidos. Da mesma forma, o parceiro-sujeito torna-se um parceiro-objeto em relação a Deus, girando em torno Dele, alcançando assim a unidade com Ele. Quando o parceiro-objeto se une completamente com o seu parceiro-sujeito, a união de ambos pode apresentar-se diante de Deus como um novo parceiro-objeto semelhante às Suas características duais. O caminho para um parceiro-objeto assumir a posição de parceiro-objeto diante de Deus é estabelecendo uma união com o seu parceiro-sujeito.

Nesta união de parceiro-sujeito e parceiro-objeto, cada um deles é composto de características duais, as quais pelo mesmo princípio da ação de dar e receber, executam os seus próprios movimentos circulares. Assim, vemos movimentos circulares da ação de dar e receber tanto no parceiro-sujeito como no parceiro-objeto, simultaneamente envolvidos num movimento circular maior em sua união. Embora existam momentos em que os dois níveis de movimento circular entre parceiros-sujeito e parceiros-objeto possam ter órbitas no mesmo plano, em geral, porque o ângulo de revolução em torno do parceiro-sujeito está constantemente se alterando, este movimento circular transforma-se em um movimento esférico. Resumindo, todos os seres que tenham completado o fundamento de quatro posições executam movimentos circulares e esféricos, e por isso o seu modo de existência torna-se sempre tridimensional.

Tomemos o sistema solar como exemplo. Os planetas, posicionados como parceiros-objeto do sol, formam uma base comum e iniciam uma ação de dar e receber com ele através de forças centrípetas e centrífugas. Girando em torno dele em órbitas elípticas, ele e os planetas atingem harmonia e unidade formando o sistema solar. Ao mesmo tempo, o planeta Terra, sendo um corpo composto por características duais, gira em torno de seu próprio eixo. O mesmo se aplica ao sol e aos demais planetas; eles estão em contínua rotação sobre seus próprios eixos porque também são corpos compostos de características duais. As órbitas originadas pela ação de dar e receber no sistema solar não ocupam exatamente o mesmo plano. Na realidade, devido aos variados ângulos de suas órbitas e rotações, o sistema solar apresenta um movimento esférico em três dimensões.

Da mesma forma, todos os corpos celestes existem em três dimensões devido aos seus movimentos circulares e esféricos. Quando os inúmeros corpos celestes realizam uma ação de dar e receber entre si, eles formam um corpo, estruturando o universo. O universo existe em três dimensões na medida em que, regidos pelo mesmo princípio, os seus elementos envolvem-se em movimentos esféricos.

Quando um elétron forma uma base comum com um próton e inicia uma ação de dar e receber, ele gira em volta do próton num movimento circular. Deste modo, eles se unem e formam um átomo (hidrogênio). O elétron e o próton são compostos de características duais que os fazem girar numa rotação contínua. Por conseguinte, o movimento circular ocorrido pela ação de dar e receber entre o próton e o elétron não é limitado a uma órbita em um plano, mas cria um movimento esférico pelas contínuas alterações do seu ângulo de revolução. Assim, através do movimento esférico, o átomo existe em três dimensões. Da mesma forma, a força magnética entre pólos positivos e negativos faz com que as partículas eletricamente carregadas desempenhem um movimento esférico.

Consideremos o exemplo dos seres humanos. Como parceiro-objeto da mente, o corpo estabelece uma base comum com ela e realiza uma ação de dar e receber. Falando de uma forma metafórica, o corpo gira em volta da mente e atinge uma completa união com ela. Quando a mente ocupar a posição de um parceiro-objeto em relação a Deus e girar em Sua volta, ressonando em unidade com Ele, e quando o corpo se unir a esta mente, o indivíduo se assemelhará às características duais de Deus, passando a ocupar a posição de parceiro-objeto substancial de Deus. A pessoa realiza assim a finalidade da Criação.

A mente e o corpo também são respectivamente compostos de características duais, por isso eles desempenham movimentos contínuos em si mesmos. Deste modo, o movimento circular produzido através da dinâmica de dar e receber entre a mente e o corpo, altera incessantemente o ângulo de revolução em torno de Deus e torna-se esférico. As pessoas que realizam a finalidade da Criação existem como seres tridimensionais que conduzem sempre suas vidas em relacionamentos esféricos centralizados em Deus. É desta forma que elas podem obter domínio, inclusive sobre o mundo espiritual (Cf. Princípio da Criação 6.2.).

De modo semelhante, quando o movimento circular entre um sujeito e um objeto que ocorre no nível horizontal, torna-se um movimento esférico através de uma órbita tridimensional, ali vem a existir as maravilhas da criação. Isto é, a beleza das coisas da criação existe em infinita variedade, e isto é assim, devido as variadas órbitas, forma, estados, direções, ângulos e velocidades da ação de dar e receber.

Assim como todos os seres possuem um caráter interno e uma forma externa, existe um tipo de movimento esférico que corresponde ao caráter interno e um outro tipo que corresponde à forma externa. Assim, existe um centro de movimento que corresponde ao caráter interno e um centro que corresponde à forma externa. Estes dois centros têm o mesmo relacionamento existente entre o caráter interno e a forma externa.

Qual é o centro máximo de todos estes movimentos esféricos? Os seres humanos são o centro de todas as coisas criadas, as quais são parceirasobjeto encarnadas das características duais de Deus em símbolo. Deus é o centro dos seres humanos, os quais foram criados como Seus parceirosobjetos encarnados em imagem. Consequentemente, o centro máximo de todos os movimentos esféricos no universo é Deus.

Analisemos um pouco melhor esta questão. Cada parceiro-objeto de Deus contém um parceiro-sujeito e um parceiro-objeto em si mesmo. O centro de seu relacionamento é o parceiro-sujeito, por isso, o centro da união entre parceiro-sujeito e parceiro-objeto é também o parceiro-sujeito. Como Deus é o centro do parceiro-sujeito, Ele é também o último centro da união. Como foi dito anteriormente, os três parceiros-objeto substanciais de Deus (parceiro-sujeito, parceiro-objeto e união) também formam bases comuns entre si. À medida que cada um dos três ocupa a posição central e se torna um com os outros através da ação de dar e receber com Deus como seu último centro, eles cumprem a finalidade de três objetos e estabelecem o fundamento de quatro posições. Por conseguinte, o último centro do fundamento de quatro posições é Deus.

Todas as coisas que estabelecem o fundamento de quatro posições desta forma são encarnações individuais de verdade. Como foi mencionado anteriormente, as encarnações individuais de verdade dividem-se, de um modo geral, em encarnações individuais de verdade em imagem (seres humanos) e encarnações individuais de verdade em símbolo (o restante da Criação). O universo é composto de inúmeras encarnações individuais de verdade, mutuamente relacionadas entre si, em certa ordem do nível mais baixo até o nível mais elevado. Entre todas, os seres humanos ocupam o nível mais elevado. As encarnações individuais de verdade movem-se esfericamente em torno umas das outras: as de nível mais baixo agem como parceiros-objeto das de nível mais elevado. Desta forma, o centro de qualquer movimento esférico é uma encarnação individual de verdade de um nível mais elevado que age como parceiro-sujeito. Os centros das inúmeras encarnações individuais de verdade em símbolo estão interligados desde o mais baixo até o mais elevado. Os centros mais elevados são os seres humanos, encarnações individuais de verdade em imagem.

Analisemos a centralidade dos seres humanos. A ciência afirma que as partículas elementares são os blocos básicos da construção da matéria e explica que elas são compostas de energia. Considerando a finalidade da existência das encarnações individuais de verdade, que constituem o universo material em diferentes níveis, podemos resumir que: a energia existe a fim de formar partículas, as partículas existem para formar átomos, os átomos para formar moléculas, as moléculas para formar matéria e a matéria existe para a criação de todos os seres individuais no universo. Da mesma forma, a atividade da energia tem como finalidade formar partículas, a atividade das partículas, para formar átomos, a atividade dos átomos para formar moléculas, a atividade das moléculas para formar matéria e a atividade da matéria tem como finalidade a construção do universo.

Qual é o próposito do universo? Qual é o seu centro? A resposta para ambas estas questões não é outra senão os seres humanos. Foi por isso que Deus, depois de criar os seres humanos, ordenou-lhes que exercessem domínio sobre o universo (Gn 1:28). Se não existissem pessoas para apreciar o universo, este seria semelhante a um museu sem visitantes. Os objetos em exposição em um museu só atingem seu verdadeiro valor e são estimados como relíquias históricas quando existem pessoas que os apreciam, amam e deleitam-se neles. O seu relacionamento com os seres humanos confere valor à sua existência. Se não houvesse ninguém para os apreciar, que significado teria a sua existência? O mesmo se aplica para o universo, cujos senhores são os seres humanos. As várias coisas da Criação iniciam relacionamentos mútuos com uma finalidade comum quando os seres humanos descobrem a origem e a natureza da matéria, identificam e classificam as plantas e os animais do ar, da Terra e do mar e as estrelas do Céu. Esta finalidade comum é realizada quando elas são assimiladas pelo corpo humano como elementos essenciais para as pessoas manterem suas funções fisiológicas e quando participam na construção de um ambiente confortável para elas viverem.

Os seres humanos ocupam assim o centro do universo criado em termos de sua forma externa. Além disso, as pessoas se relacionam com o universo a partir de sua posição de centro interno. Enquanto os relacionamentos acima referidos são relacionamentos físicos, aqui consideramos os relacionamentos mentais ou espirituais. Embora composto de matéria, o corpo humano responde fisiologicamente à emoção, ao intelecto e à vontade da mente humana. Isto prova que a matéria em si mesma possui elementos que ressoam com a emoção, intelecto e vontade — elementos que constituem o caráter interno da matéria. Esta é a razão pela qual todas as coisas do universo respondem à emoção, intelecto e vontade humanos, embora em diferentes níveis. A beleza do mundo natural inebria-nos e experimentamos o arrebatamento da união mística com ele porque somos o centro do caráter interno de todas as coisas do mundo natural. Os seres humanos foram assim criados como o centro do universo, e o lugar onde Deus e os seres humanos tornam-se completamente um é o centro do cosmo.

Analisemos agora, de um outro ponto de vista, a forma como os seres humanos são o centro do cosmo, composto pelo mundo espiritual e pelo mundo físico. Cada ser humano encarna todos os elementos existentes no cosmo. Todavia, como vimos anteriormente, tudo no cosmo pode ser dividido de um modo geral em parceiros-sujeito e parceiros-objeto.

Se Adão, o primeiro antepassado humano, tivesse alcançado a perfeição, ele teria encarnado todos os elementos sujeitos dos seres da Criação. Se Eva tivesse alcançado a perfeição, ela teria encarnado todos os elementos objetos dos seres da Criação. Deus criou Adão e Eva para terem o domínio sobre o mundo natural. Ao crescerem juntos até a perfeição, Adão devia tornar-se o rei de todos os elementos sujeitos existentes na Criação, e Eva, a rainha de todos os elementos objetos. Se eles tivessem se unido como marido e esposa, teriam se tornado o centro que poderia governar todo o universo, composto de parceiros-sujeito e parceiros-objeto.

Os seres humanos foram criados para serem o centro de harmonia de todo o cosmo. Se Adão e Eva tivessem alcançado a perfeição e se unido como marido e esposa, isso teria significado a união dos dois centros das características duais de todos os seres. Se Adão e Eva tivessem caminhado juntos em harmonia e atingido a unidade, todo o cosmo, com as suas características duais, teria dançado em harmonia. O local onde Adão e Eva se tornam perfeitamente um, em coração e corpo, como marido e esposa, é também o local onde Deus, o parceiro-sujeito que dá amor, e os seres humanos, os parceiros-objeto que retornam beleza se unem. Este é o centro do bem onde a finalidade da Criação é cumprida. Aqui, Deus, o nosso Pai, aproxima-se e habita com os Seus filhos aperfeiçoados e descansa em paz pela eternidade. Este centro do bem é o parceiro-objeto do amor eterno de Deus, onde Ele pode ser estimulado pela alegria por toda a eternidade. Este é o local onde a Palavra de Deus é encarnada e realizada. É o centro da verdade e o centro da mente original, cuja união nos leva a buscar a finalidade da Criação. Consequentemente, todo o universo realizará um movimento esférico com um único objetivo quando estiver baseado no fundamento de quatro posições, estabelecido por um homem e uma mulher aperfeiçoados, unidos como marido e esposa e centralizados em Deus.

Infelizmente, o universo perdeu o seu centro quando os homens caíram. Foi por esta razão que Paulo escreveu que a Criação tem gemido com dores de parto enquanto aguarda ansiosamente pelos filhos de Deus (Rm 8:19-22). A Criação espera pelas pessoas que restaurarão sua natureza original e se tornarão seu centro.

2.4 A Onipresença de Deus

Aprendemos que o fundamento de quatro posições, construído sobre o Propósito dos Três Objetos através da ação de origem-divisão-união, desempenha um movimento esférico em torno de Deus e se torna um com Ele. Esta é a base fundamental para que todos os seres recebam o domínio de Deus e sejam dotados de todos os poderes necessários para a vida. Em um mundo em que a finalidade da Criação de Deus tenha sido realizada, todos os seres individuais encarnam os movimentos esféricos a fim de construir o fundamento para o domínio de Deus. Assim, Deus é onipresente.

2.5 A Multiplicação da Vida

Para que os seres vivos perpetuem suas espécies eles têm que se reproduzir. Esta multiplicação ocorre através da ação de origem-divisão-união realizada sobre boas interações. Por exemplo, nas plantas, as sementes se desenvolvem dando origem a flores com estames e pistilos; por meio da polinização, elas produzem suas sementes e propagam sua espécie. Nos animais, machos e fêmeas tornam-se adultos, acasalam-se e produzem suas crias. Todas as células nos animais e nas plantas dividem-se através da ação de dar e receber.

Quando o corpo age de acordo com a vontade da mente e ambos se envolvem numa ação de dar e receber, o indivíduo vive uma vida cheia de significado. Este indivíduo atrai então pessoas com uma mente semelhante. À medida que estes companheiros trabalham em conjunto e de forma produtiva, o seu grupo cresce. Pode-se dizer que o universo é formado pela multiplicação de infinitas manifestações substanciais de caráter interno original e de forma externa original de Deus através de suas ações de dar e receber em busca da finalidade da Criação.

2.6 A Razão pela qual Todos os Seres São Constituídos de Características Duais

Para que qualquer ser possa existir é necessário energia, e a energia só pode ser produzida através de uma ação de dar e receber. No entanto, nenhum ser pode relacionar-se sem um parceiro. Assim, para gerar as forças necessárias para sua existência, um ser deve conter características duais, um parceiro-sujeito e um parceiro-objeto que possam realizar a ação de dar e receber.

Não é possível manter um movimento em linha reta para sempre. Para que alguma coisa possua uma natureza eterna, esta tem que se mover em círculos; qualquer movimento circular necessita de uma ação de dar e receber entre um parceiro-sujeito e um parceiro-objeto. Isto se aplica até a Deus: o fato de Ele possuir características duais permite-Lhe viver para sempre. Para que a Criação de Deus se assemelhe à Sua natureza eterna e seja o Seu parceiro-objeto eterno, ela tem que ser composta por características duais. De forma semelhante, o tempo mantém a sua perpetuidade através de seus ciclos periódicos.